Agrofloresta no Sul de Minas reconecta matas entre lavouras de café
28/04/2026
(Foto: Reprodução) Agrofloresta no Sul de Minas reconecta matas entre lavouras de café - Crédito: Gustavo Coetti
Em sistemas agrícolas tradicionais, é comum encontrar lavouras com solo exposto e pouca diversidade vegetal entre as linhas de cultivo. Nos últimos anos, no entanto, uma nova abordagem tem ganhado espaço: integrar biodiversidade ao próprio sistema produtivo, transformando áreas agrícolas em ambientes mais complexos, resilientes e eficientes.
É nesse contexto que as Fazendas Caxambu e Aracaçu, no Sul de Minas Gerais, vêm desenvolvendo um modelo que incorpora corredores ecológicos diretamente dentro da lavoura de café. Entre uma rua de café e outra, o que se vê não é terra nua, mas uma diversidade de espécies vegetais que cumprem funções específicas dentro do sistema.
Mudas de ingá, erva-baleeira, fedegoso, fedegosinho e mogno crescem ao lado dos cafeeiros, formando corredores que reconectam fragmentos de vegetação e transformam a lavoura em uma estrutura ecológica funcional.
“As Fazendas Caxambu e Aracaçu já contavam com um expressivo número de árvores plantadas e extensas áreas de preservação. Nos novos plantios, nosso foco é conectar essas massas verdes, integrando os cafeeiros à paisagem dentro de uma visão sistêmica e de plantio integrado”, explica Guy Carvalho, agrônomo responsável pelas fazendas.
O projeto foi desenvolvido em parceria com instituições do setor e implantado em áreas estratégicas da propriedade, com diferentes desenhos de manejo de acordo com o objetivo de cada talhão.
Três talhões, três estratégias
Em uma das áreas, os corredores ecológicos foram estruturados para integrar diferentes partes da lavoura, favorecendo a conectividade da paisagem, a movimentação da fauna e a dispersão de sementes. Esses corredores também contribuem para a proteção do solo, manutenção da matéria orgânica, regulação do microclima e redução do impacto de ventos — além de favorecer a presença de inimigos naturais de pragas, fundamentais para o equilíbrio biológico do sistema.
Em outro talhão, o plantio foi desenhado de forma consorciada, alternando espécies com funções complementares. O objetivo é aumentar a diversidade estrutural da vegetação, melhorar a ciclagem de nutrientes e promover maior estabilidade do agroecossistema ao longo do tempo.
Já em uma área próxima à estrada, a implantação de uma barreira vegetal cumpre função estratégica de proteção. A vegetação atua na redução de poeira, na mitigação de deriva de insumos externos e na proteção física e biológica da lavoura, além de contribuir para a biodiversidade local.
“Mais do que ações isoladas, esses plantios seguem uma lógica integrada. Cada área foi pensada para cumprir uma função dentro do sistema, gerando mais equilíbrio e resiliência no dia a dia da produção”, destaca Hellen Cristina Silva Gomes, da Coordenadoria de Estratégia e Sustentabilidade das Fazendas.
Corredores ecológicos das Fazendas Caxambu e Aracaçu - Crédito: Gustavo Coetti
Mais do que árvores: infraestrutura ecológica
As espécies utilizadas não foram escolhidas de forma aleatória. Cada uma desempenha um papel dentro do sistema: atração de inimigos naturais, produção de biomassa, melhoria das condições microclimáticas e proteção contra agentes externos.
Esse tipo de abordagem transforma o conceito de arborização dentro da lavoura. Em vez de áreas isoladas de preservação, a biodiversidade passa a ser integrada à lógica produtiva, atuando diretamente na eficiência do sistema.
As práticas fazem parte de um programa estruturado de gestão da qualidade no campo e estão alinhadas a protocolos internacionais de sustentabilidade, que incentivam a manutenção e ampliação da cobertura vegetal funcional em áreas produtivas.
Na prática, o modelo demonstra que corredores ecológicos não são apenas uma iniciativa ambiental, mas um componente técnico da produção — capaz de contribuir para a resiliência da lavoura, reduzir a dependência de intervenções externas e sustentar sistemas agrícolas mais equilibrados ao longo do tempo.
Sobre as Fazendas Caxambu e Araçaçu
Localizadas em Três Pontas, no Sul de Minas Gerais, as Fazendas Caxambu e Araçaçu são propriedades de um grupo familiar liderado por Carmem Lucia Ucha. Cooperadas da Cooxupé,e contando com a SMC como a mais importante parceria em seu projeto de exportação de cafés especiais, as fazendas combinam tradição cafeeira com um conjunto crescente de práticas regenerativas voltadas à redução de emissões e ao aumento da biodiversidade.
Esse cuidado também se reflete na qualidade dos cafés produzidos, reconhecida internacionalmente, com destaque para a conquista do primeiro lugar na categoria Natural no Cup of Excellence 2025, o maior e mais importante concurso global de cafés de excelência, promovido no Brasil pela BSCA. A condução desse padrão de excelência sensorial está sob a responsabilidade de Dionatan Almeida, campeão mundial de Cup Tasters, que lidera o trabalho de avaliação e refinamento sensorial da produção.
CONSULTE UM AGRÔNOMO DE CONFIANÇA