Café de veleiro: compradores rejeitam navio por sustentabilidade

  • 28/04/2026
(Foto: Reprodução)
Café de veleiro: compradores rejeitam navio por sustentabilidade - Crédito: Gustavo Coetti O café saiu de Três Pontas, no Sul de Minas Gerais, como qualquer outro lote especial: colhido com cuidado, processado com rigor, rastreado grão a grão. Mas na hora de cruzar o oceano, seguiu um caminho diferente. Em vez de embarcar em um navio cargueiro convencional, foi transportado por veleiro. A decisão não partiu da fazenda. Partiu dos próprios compradores, que conheciam em detalhe o sistema produtivo das Fazendas Caxambu e Aracaçu — a arborização integrada à lavoura, os créditos de carbono certificados, as 1.077,2 toneladas de CO ₂ removidas da atmosfera por ano, as sacas climaticamente positivas que retiram mais 100 kg de carbono cada. E decidiram que não fazia sentido comprometer, no transporte, o que a fazenda construiu na produção. "Eles disseram que queriam honrar o cuidado que a fazenda tem na produção dos cafés e na captura de carbono. Não queriam que o produto fosse transportado por um meio que poluísse o meio ambiente. Foi uma decisão deles, e nos emocionou profundamente", relata a equipe da SMC, responsável pela exportação dos cafés das fazendas. Coerência do campo ao porto — e além O transporte marítimo convencional é responsável por cerca de 3% das emissões globais de gases de efeito estufa. Um navio cargueiro de grande porte pode emitir entre 10 e 40 gramas de CO ₂ por tonelada-quilômetro transportado. O veleiro, movido a vento, reduz essa emissão a próximo de zero. Para os compradores, a lógica era simples: se cada saca de café das Fazendas Caxambu e Aracaçu remove até 100 kg de carbono da atmosfera — equivalente à energia de uma casa por 10 dias ou às emissões de 500 km rodados por um automóvel —, não faria sentido devolver parte desse ganho ambiental ao mar durante o transporte. A operação de exportação via veleiro representa uma extensão do conceito de insetting que a fazenda já pratica: um modelo em que cada elo da cadeia assume responsabilidade direta pelas emissões geradas, em vez de compensá-las externamente. Os créditos de carbono gerados pela arborização nas fazendas já haviam sido adquiridos anteriormente pela sueca Löfbergs nesse mesmo modelo, em parceria com a Cooxupé, EPAMIG, GrowGrounds e Clima Café. Um sistema que inspira a cadeia O gesto dos compradores não é apenas simbólico. Ele revela uma tendência crescente no mercado global de cafés especiais: a demanda por coerência ambiental em toda a cadeia, da semente à xícara — incluindo a logística. As Fazendas Caxambu e Aracaçu já operam como referência nesse sentido. A propriedade mantém certificações Rainforest Alliance, BSCA, Gerações, 4C, Fairtrade, Café Prates, Certifica Minas, Cas+, Energia Limpa e Agrobee (cafés polinizados). Foram as primeiras no Brasil a receber créditos de carbono certificados pela inserção de árvores em lavouras cafeeiras. Exportam via SMC para 17 países. E conquistaram o 1º lugar no Cup of Excellence 2025 na categoria Natural, com a condução sensorial de Dionatan Almeida, campeão mundial de Cup Tasters. Agora, com o café viajando de veleiro, a história que começa no solo de Três Pontas chega ao destino sem deixar rastro no caminho. E prova que, quando o produtor faz a sua parte com seriedade, o mercado responde à altura. "Quando a gente plantou a primeira árvore dentro da lavoura, ninguém imaginava que isso ia mudar a forma como o café viaja pelo mundo. Mas é 2 Café que viajou de veleiro: compradores recusam navio para honrar o cuidado ambiental de fazenda no Sul de Minasassim que começa: com uma decisão pequena que, lá na frente, muda tudo", reflete Carmem Lucia, a Ucha. Plantio de café entre cobertura de solo viva nas Fazendas Caxambu e Aracaçú - Crédito: Gustavo Coetti Sobre as Fazendas Caxambu e Aracaçu Localizadas em Três Pontas, no Sul de Minas Gerais, as Fazendas Caxambu e Araçaçu são propriedades de um grupo familiar liderado por Carmem Lucia Ucha. Cooperadas da Cooxupé,e contando com a SMC como a mais importante parceria em seu projeto de exportação de cafés especiais, as fazendas combinam tradição cafeeira com um conjunto crescente de práticas regenerativas voltadas à redução de emissões e ao aumento da biodiversidade. Esse cuidado também se reflete na qualidade dos cafés produzidos, reconhecida internacionalmente, com destaque para a conquista do primeiro lugar na categoria Natural no Cup of Excellence 2025, o maior e mais importante concurso global de cafés de excelência, promovido no Brasil pela BSCA. A condução desse padrão de excelência sensorial está sob a responsabilidade de Dionatan Almeida, campeão mundial de Cup Tasters, que lidera o trabalho de avaliação e refinamento sensorial da produção. CONSULTE UM AGRÔNOMO DE CONFIANÇA

FONTE: https://g1.globo.com/mg/sul-de-minas/especial-publicitario/fazenda-caxambu-e-aracacu-cafeicultura-natural-cafe-terra-e-futuro/noticia/2026/04/28/cafe-de-veleiro-compradores-rejeitam-navio-por-sustentabilidade.ghtml


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