Entenda como brasileira reduziu pena pela metade na Tailândia, país que prevê até pena de morte para tráfico de drogas
15/10/2026
(Foto: Reprodução) Brasileira reduziu pena pela metade na Tailândia, que prevê até pena de morte para tráfico
A brasileira Mary Hellen Coelho Silva conseguiu reduzir em mais da metade a pena de 9 anos e 6 meses de prisão que cumpria na Tailândia por tráfico internacional de drogas e retornou ao Brasil após mais de quatro anos de detenção. A jovem, moradora de Pouso Alegre (MG), chegou ao país no dia 5 de setembro, quando completou 26 anos.
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A redução da pena ocorreu em um país conhecido pela rigidez das leis relacionadas a drogas. Na Tailândia, dependendo da quantidade apreendida e das circunstâncias do crime, o tráfico pode ser punido até mesmo com pena de morte.
Segundo a advogada Kaelly Cavoli Moreira, a brasileira foi beneficiada pelo chamado perdão real, medida prevista na legislação tailandesa, semelhante ao indulto no Brasil. O benefício pode ser concedido individual ou coletivamente e, neste último caso, segue critérios estabelecidos pelas autoridades do país em ocasiões como o aniversário do rei.
Entre os fatores considerados estão o bom comportamento, os antecedentes e as atividades realizadas durante o período de prisão.
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Durante os anos em que esteve presa, Mary Hellen realizou diferentes trabalhos para conseguir dinheiro e custear necessidades básicas. Segundo a advogada, ela chegou a fazer massagens e, posteriormente, trabalhou na padaria da unidade prisional.
O dinheiro era usado para comprar itens de higiene, alimentos que conseguisse consumir e pagar despesas com saúde. A advogada explicou que alguns recursos não eram fornecidos pelo presídio e que a alimentação local, bastante apimentada, dificultava a adaptação da brasileira.
Segundo a advogada, o trabalho e o comportamento de Mary Hellen contribuíram para que ela obtivesse os benefícios concedidos durante o cumprimento da pena. Com as reduções, a brasileira concluiu o período de detenção e retornou ao Brasil, conforme a defesa.
Legislação tailandesa
A legislação antidrogas da Tailândia passou por mudanças no fim de 2021. As punições variam conforme o enquadramento do crime e as circunstâncias de cada caso. Em 2022, quando Mary Hellen foi presa, especialistas ouvidos pelo g1 e pela EPTV explicaram que fatores como a quantidade de droga apreendida e as condições da acusada poderiam influenciar a sentença.
Na época, o advogado Telêmaco Marrace afirmou que a condição de ré primária de Mary Hellen poderia ser considerada na definição da pena. Ele também citou a possibilidade de benefícios que permitissem reduzir o tempo de prisão.
O advogado Ariel de Castro Alves, especialista em direitos humanos e segurança pública, destacou à EPTV a importância da atuação diplomática brasileira. Segundo ele, uma eventual transferência para o Brasil para cumprimento da pena dependeria de articulação entre os dois países, já que não havia tratado específico de transferência de pessoas condenadas entre Brasil e Tailândia.
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Perdão real era possibilidade
Desde 2022, quando ela foi presa, os advogados avaliavam diferentes caminhos para que a brasileira pudesse deixar a prisão. Uma das alternativas era o perdão real, benefício que poderia reduzir o tempo de pena ou até extinguir a condenação, dependendo das condições estabelecidas pelas autoridades do país.
Outra possibilidade discutida era a extradição para o Brasil. Como não existe tratado de extradição entre Brasil e Tailândia, a medida dependeria de articulação diplomática e de um eventual acordo de reciprocidade entre os países.
A terceira possibilidade era justamente a permanência no sistema prisional tailandês até que os benefícios previstos pela legislação local permitissem a redução da pena. Na época, a defesa já avaliava que esses mecanismos poderiam diminuir significativamente o período de encarceramento.
Em 2024, Mary Hellen recebeu o perdão real da multa de 750 mil bahts, equivalente a cerca de R$ 105 mil na época, e teve a pena reduzida de 9 anos e 6 meses para 7 anos e 6 meses de prisão. As medidas foram atribuídas ao bom comportamento e à participação em atividades na prisão.
Já em abril de 2026, a advogada informou que a brasileira havia conseguido uma redução significativa da pena por bom comportamento. Na ocasião, a defesa também aguardava a análise de um pedido protocolado em dezembro de 2025.
Prisão no aeroporto
Mary Hellen foi presa em 14 de fevereiro de 2022 no aeroporto de Bangkok. Conforme as informações divulgadas à época, ela e outro brasileiro transportavam cerca de 9 quilos de cocaína escondidos em compartimentos ocultos de três malas. Um terceiro suspeito foi detido horas depois com outros 6 quilos da droga.
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À época, o advogado Telêmaco Marrace informou que Mary Hellen se declarou culpada perante a Justiça tailandesa. Segundo ele, a brasileira admitiu ter entrado no país com drogas e afirmou ter atuado como “mula” do tráfico. Por ter confessado o crime, ela foi sentenciada sem passar por um julgamento. Até então, a defesa afirmava que a jovem não sabia que havia drogas escondidas na mala.
Em maio de 2022, a Justiça tailandesa condenou a brasileira a 9 anos e 6 meses de prisão. A pena foi dividida em dois anos por um crime civil e sete anos e seis meses por um crime penal.
Após obter as reduções previstas durante o cumprimento da sentença, Mary Hellen deixou a prisão e retornou ao Brasil em setembro de 2026.
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