Flipoços: jovens leitores mantêm a leitura viva na era das redes sociais: 'Tira a gente da correria'

  • 03/05/2026
(Foto: Reprodução)
Flipoços reúne escritores e leitores em mais de 200 atividades em Poços de Caldas Em tempos em que os vídeos curtos e redes sociais ocupam boa parte do tempo dos jovens em uma rolagem desenfreada do feed, a leitura ainda permanece como um hábito bastante praticado pela juventude que busca o autoconhecimento e fugir da ansiedade da internet. 📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram Jovens buscam livros no Flipoços 2026 Fabiana Assis/g1 “As redes sociais trazem muita pressão para a gente. Já os livros tiram a gente desse mundo de correria”, afirma a estudante Nátali Vilhena da Silva Amaral, de 18 anos. Ela conta que começou a ler aos 14 anos, mas se apegou mesmo aos livros em um momento difícil da vida, a leitura se tornu um hobby, e hoje ela prefere os livros ao celular. Nátali Vilhena da Silva Amaral, de 18 anos, criou o hábito da leitura em um momento difícil da sua vida Fabiana Assis/g1 O g1 conversou com jovens e palestrantes do Festival Literário Internacional de Poços de Caldas (Flipoços), que começou em 25 de abril e termina neste domingo (3), para entender de onde vem o interesse pelos livros, e descobriu que a entrada no mundo da leitura tem muitas portas: familiares leitores, atividades escolares e, inclusive, as influências digitais pelos próprios vídeos sobre livros nas redes sociais. Para a influenciadora literária Gabriela Neves, os vídeos nas redes sociais levam ao público jovem a linguagem rápida a que estão acostumados e funcionam como uma espécie de “trailer” dos livros. “Eu vejo a minha função como isso: dar um gostinho, para a pessoa ir lá e ler. O objetivo é que ela pare tudo e leia”, diz. Nesse sentido, a internet não substitui a leitura, mas atua como estímulo, um primeiro contato que pode despertar ou reacender o interesse”, afirma. LEIA TAMBÉM: Carla Madeira é aplaudida ao manifestar preocupação com a exploração de terras raras no Flipoços: 'Protejam este lugar lindo' Autora de 'A morte é um dia que vale a pena viver' alerta que as pessoas estão em dívida com os seus afetos: 'Quem vai te amar até o fim da vida?' A influenciadora literária Gabriela Neves participou do Flipoços 2026 Reprodução redes sociais A influenciadora esteve no Flipoços para falar sobre como as diferentes plataformas impactam o interesse atual pela leitura. Gabriela construiu carreira ligada ao esporte e formação em cinema e atuação, mas a literatura sempre esteve presente em sua vida. O ponto de virada veio durante a pandemia, quando passou a ler ainda mais e sentiu necessidade de registrar suas experiências. “Era muito mais um registro pessoal, de lembrar o que eu senti lendo aquele livro, do que convencer alguém”, explica. A entrada nas redes aconteceu primeiro pelo TikTok, depois migrou também para o Instagram, onde consolidou seu público. Hoje, ela reúne 120 mil seguidores, principalmente mulheres entre 18 e 50 anos. “Tem muita gente jovem que acompanha, que pega as listas, que se interessa. E muita gente me fala: ‘voltei a ler depois que comecei a te seguir’”, diz. Amigo íntimo x mais amigos Os jovens leitores estão divididos em dois grupos: o dos que descobriram nos livros um amigo íntimo para as dificuldades da infância e adolescência e o dos que usam o livro como possibilidade de criar conexões e fazer mais amigos. A psicóloga Yasmin Silva Bernardes indica a leitura em seus atendimentos Fabiana Assis/g1 A psicóloga Yasmin Silva Bernardes associa o hábito de ler a uma infância solitária. “Eu sempre tive o hábito de ler porque era uma criança mais reclusa, com dificuldade de me enturmar, então passava bastante tempo lendo.” Frequentadora assídua do Flipoços, neste ano ela foi, ainda durante a montagem dos estandes, comprar livros no sebo. Repetiu a visita quase todos os dias da feira literária, sempre adquirindo novos exemplares. Para ela, o livro vai além do entretenimento e se torna ferramenta de compreensão do mundo e de si mesma. Hoje ela incorpora a leitura na prática da sua profissão. “Eu recomendo tanto a leitura quanto a escrita e acredito muito no potencial terapêutico de ambas as coisas.” O autoconhecimento também é uma das belezas da leitura para a estudante de psicologia Samira Marques Rocha, de 20 anos, que aprendeu a ler com a mãe. Ela vê na literatura uma forma de viver experiências que não são suas. “Você entra naquilo, você sente aquilo e cria uma experiência que nem é sua, mas sente como se fosse.” Como muitos leitores, ela começou com os gibis. Fez uma conta em nome da mãe na banca de revistas sem nem saber o valor do dinheiro, o que lhe garantiu muitas horas de leitura. Passou pela fase dos romances e atualmente lê os escritores brasileiros e temas relacionados ao seu curso de psicologia. Assim como aconteceu com Samira, uma hora ou outra os romances passam pela vida dos leitores assíduos. Na outra ponta, no oposto de quem gosta de ler como uma atividade individual, há a galera que encontra na leitura a possibilidade de participar de uma atividade coletiva, compartilhando listas e resenhas em suas redes sociais e clubes de livros. Aline Cantia, vencedora do prêmio Jabuti de 2025, participou do Flipoços Fabiana Assis/g1 “O jovem está lendo de outras formas: nas comunidades do TikTok, no YouTube, nos saraus das comunidades, está lendo coletivamente com outros jovens”, aponta Aline Cantia, presidente do projeto AbraPalavra, de incentivo à leitura, ganhador do Prêmio Jabuti 2025, que também foi uma das palestrantes do Flipoços. Ela observa que muitos jovens chegam à leitura pela escrita, na ânsia de buscar o protagonismo da sua história, e que estão buscando temáticas variadas. “Esses jovens estão lendo hoje uma diversidade muito maior do que a gente tinha acesso quando a gente era jovem. Então acho que eles estão lendo muito mais textos que trazem questões da comunidade LGBTQIA+, eles trazem questões antirracistas, muitas leituras indígenas. Eu acho que eles estão buscando leituras para além do que a gente buscava”. Flipoços Milton Hatoum participou do Flipoços 2026 Fabiana Assis/g1 O Festival Internacional de Literatura de Poços de Caldas (Flipoços) está entre os principais eventos literários do Brasil. A 21ª edição ocorreu entre os dias 25 de abril e 3 de maio, no Parque José Afonso Junqueira, com mais de 200 atividades literárias, musicais e gastronômicas, em vários espaços. A temática desse ano foi cartas e diários na literatura. Veja mais notícias da região no g1 Sul de Minas.

FONTE: https://g1.globo.com/mg/sul-de-minas/noticia/2026/05/03/flipocos-jovens-leitores-mantem-a-leitura-viva-na-era-das-redes-sociais-tira-a-gente-da-correria.ghtml


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