Lavoura-floresta com 117 mil árvores dentro da produção do café em Minas
28/04/2026
(Foto: Reprodução) Lavoura-floresta com 117 mil árvores dentro da produção do café em Minas - Crédito: Gustavo Coetti
O que acontece nas Fazendas Caxambu e Aracaçu vai além da arborização de lavouras. Trata-se de um sistema produtivo redesenhado com base em dados, manejo e validação científica.
Hoje, as fazendas operam com um modelo em que há uma árvore a cada sete pés de café, totalizando aproximadamente 117 mil árvores inseridas diretamente dentro do sistema produtivo, e não apenas em áreas periféricas.
Esse arranjo é resultado de um processo contínuo de evolução. Inicialmente, o plantio de árvores estava concentrado em bordas e corredores naturais. Nos últimos anos, o modelo evoluiu para a integração em linhas paralelas ao café, consolidando um sistema agroflorestal funcional e mecanizável.
Além da presença física das árvores, o sistema é sustentado por monitoramento técnico e validação acadêmica. As chamadas “Florestas de Café” foram mapeadas e validadas pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), evidenciando que a maior parte da área produtiva hoje está integrada ao bioma de forma funcional.
Na prática, essa estrutura altera diretamente o funcionamento da lavoura. As árvores contribuem para:
regulação térmica
aumento da umidade relativa
redução do estresse hídrico
melhoria da estrutura do solo
aumento da biodiversidade funcional
Esse sistema também é sustentado por um investimento contínuo em capacitação. As equipes de campo participam de treinamentos técnicos recorrentes, voltados tanto para o execução das práticas regenerativas quanto para a leitura e interpretação dos dados gerados no campo. Esse processo garante padronização, evolução constante e alinhamento entre estratégia e operação, conectando conhecimento técnico à prática diária da lavoura.
“É importante destacar que essa visão parte da governança, mas chega em todo o time, em todos os níveis. Isso coloca todos na mesma página e soma conhecimento e esforços em prol de um sistema mais equilibrado”, afirma Guy Carvalho, agrônomo responsável pelas fazendas.
Os resultados desse modelo não se limitam ao ambiente. Eles também se refletem diretamente na qualidade do produto. A consistência agronômica proporcionada pelo sistema — aliada ao controle de processos ao longo de toda a cadeia — contribui para a produção de cafés com alto padrão sensorial, reconhecidos em concursos nacionais e internacionais. O destaque no Cup of Excellence 2025, o maior e mais importante concurso de qualidade do café no mundo, evidencia que produtividade, sustentabilidade e excelência sensorial podem caminhar juntas.
Mais do que uma adaptação ambiental, o modelo configura uma nova lógica produtiva — onde a complexidade do sistema passa a ser um ativo agronômico, econômico e sensorial.
Bosque das Fazendas Caxambu e Aracaçu - Crédito: Gustavo Coetti
Sobre as Fazendas Caxambu e Aracaçu
Localizadas em Três Pontas, no Sul de Minas Gerais, as Fazendas Caxambu e Araçaçu são propriedades de um grupo familiar liderado por Carmem Lucia, a Ucha. Cooperadas da Cooxupé,e contando com a SMC como a mais importante parceria em seu projeto de exportação de cafés especiais, as fazendas combinam tradição cafeeira com um conjunto crescente de práticas regenerativas voltadas à redução de emissões e ao aumento da biodiversidade.
Esse cuidado também se reflete na qualidade dos cafés produzidos, reconhecida internacionalmente, com destaque para a conquista do primeiro lugar na categoria Natural no Cup of Excellence 2025, o maior e mais importante concurso global de cafés de excelência, promovido no Brasil pela BSCA. A condução desse padrão de excelência sensorial está sob a responsabilidade de Dionatan Almeida, campeão mundial de Cup Tasters, que lidera o trabalho de avaliação e refinamento sensorial da produção.
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