MP denuncia uso de evento público para promoção política de prefeito em Carmo do Rio Claro, MG
29/04/2026
(Foto: Reprodução) Felipe Carielo (sem partido), prefeito de Carmo do Rio Claro (MG)
Redes sociais
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) ajuizou uma Ação Civil Pública por improbidade administrativa contra o prefeito de Carmo do Rio Claro (MG), Filipe Carielo (atualmente sem partido). A ação, publicada em 23 de abril de 2026, é assinada pelo promotor Cassiano Cassiolato e aponta suposto uso indevido da estrutura do “Carmo Rodeio Fest 2024” para promoção pessoal e manifestações político-ideológicas.
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De acordo com o MP, a prefeitura investiu R$ 1.581.910,20 na realização do evento, ocorrido entre os dias 1º e 5 de novembro de 2024. A acusação sustenta que, em vez de priorizar a valorização da cultura e da economia local, o prefeito teria “personalizado a festa”, atuando como animador e utilizando o palco para discursos políticos de caráter pessoal.
A investigação aponta ainda que Carielo teria determinado a interrupção de apresentações oficiais para exibição de conteúdos audiovisuais de seu interesse no telão principal. Entre os materiais exibidos, segundo o MP, estavam críticas ao atual presidente da República, elogios ao ex-presidente, ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e manifestações em defesa de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, classificados pelo prefeito como “presos políticos”.
MP denuncia uso de evento público para promoção política de prefeito em Carmo do Rio Claro (MG)
Ministério Público de Minas Gerais
O Ministério Público anexou ao processo registros de conversas entre servidores municipais que indicariam ordens diretas para coordenar a exibição dos vídeos nos momentos em que o prefeito subia ao palco. A Promotoria também destaca que Carielo utilizaria a expressão “prefeito de direita” em suas redes sociais, reforçando, segundo o órgão, a intenção de autopromoção política.
Para o MP, houve um “planejamento meticuloso” para uso de recursos públicos em benefício pessoal, o que pode configurar ato de improbidade com enriquecimento ilícito. “O réu desviou a finalidade das contratações públicas para satisfazer interesses pessoais”, afirma o promotor na ação.
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Na Justiça, o MPMG pede a perda do cargo público, a suspensão dos direitos políticos, o pagamento de multa civil, a devolução proporcional dos valores gastos com a estrutura utilizada para fins pessoais e a condenação por dano moral coletivo, sugerida em R$ 500 mil.
A EPTV, afiliada à TV Globo, entrou em contato com o prefeito Filipe Carielo para comentar as acusações. Em resposta enviada à emissora, o prefeito alega que apenas pediu a aprovação de um projeto de lei.
"Eu fui num evento público tradicional, rodeio, feito com dinheiro público, e pedi aprovação do projeto de lei da anistia. Durante dois minutos. (...) Mas o MP de Carmo do Rio Claro está entendendo que eu me promovi ao pedir a aprovação do projeto de anistia. (...) Vamos tentar lutar para mudar isso, diz o gestor.
Conversas entre servidores municipais indicariam ordens diretas para exibição dos materiais
Ministério Público de Minas Gerais
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