Servidores denunciam assédio e perseguição por superintendente regional de ensino de Varginha
05/10/2026
(Foto: Reprodução) Servidores da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais denunciaram condutas atribuídas à superintendente regional de ensino de Varginha, Eliane dos Reis Dias. Os relatos incluem acusações de assédio, humilhação, perseguição e ameaças no ambiente de trabalho. Um dos casos resultou em uma decisão judicial que condenou o Estado de Minas Gerais ao pagamento de R$ 4 mil por danos morais a um servidor.
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Um servidor, que pediu para não ser identificado, afirmou que sofreu um episódio de assédio em 2021, no primeiro dia de trabalho. Segundo ele, a situação ocorreu no gabinete da superintendente regional de ensino.
"Ela me chamou na sala e falou que tinha um presente ali, geralmente é um presente que ela dava para quem era novato. E ao abrir a caixa, era um pênis de borracha e tinha duas pessoas ali que presenciaram a situação. Eu fiquei impactado, tive um constrangimento e quem estava ali perto levou em tons de brincadeira", relatou o servidor.
Servidores denunciam assédio e perseguição por superintendente regional de ensino de Varginha
Reprodução EPTV
De acordo com ele, anos depois, em 2024, passou a sofrer perseguição após questionamentos sobre possíveis irregularidades na contratação de inspetores.
O servidor afirma que a situação foi denunciada à Ouvidoria do Estado. Sem avanços, segundo ele, um grupo de servidores enviou um e-mail a um deputado estadual pedindo ajuda. Ainda de acordo com o relato, o conteúdo da denúncia foi posteriormente exposto pela superintendente durante uma reunião.
"Ela expôs no telão o teor da denúncia, da manifestação e do pedido de ajuda ao deputado. E ali tinham os nomes de quem pediu ajuda, no qual ela colocava isso em dúvida, colocava o profissionalismo desses servidores em dúvida, no qual causou toda a repercussão. Na sala tinha aproximadamente 40 pessoas, segundo ainda a lista de presença que foi colhida ali", afirmou.
Outra servidora, que também preferiu não se identificar, relatou que está em tratamento psicológico após problemas envolvendo a superintendente. Segundo ela, houve ameaças e outros colegas também teriam adoecido em razão do ambiente de trabalho.
"A pessoa acaba se adoecendo mesmo, porque não é só o meu caso que estou doente até hoje. Tem muitos outros colegas que estão sem condições de trabalhar, sabe? Porque se adoeceram e muitos têm medo de procurar a justiça, porque tem medo de retaliação por parte dela", disse.
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Reprodução EPTV
As denúncias de assédio foram levadas ao Ministério Público. Após ouvir alguns servidores e a própria superintendente, a 7ª Promotoria arquivou o caso. Conforme o documento citado na reportagem, os fatos narrados foram considerados relevantes para eventual apuração disciplinar, mas não para atribuição de responsabilidade pelo Ministério Público.
O mesmo documento ressalta que os casos poderiam ser levados à Justiça. Um dos servidores optou por ingressar com ação judicial. Em decisão assinada pela juíza Luana Vilma de Souza, o Estado de Minas Gerais foi condenado a pagar R$ 4 mil ao servidor por danos morais. A decisão ainda cabe recurso.
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O advogado da vítima, Cristiano de Oliveira Corrêa, destacou a importância da denúncia de casos de assédio.
"Assédio é crime, ainda mais quando se trata de uma servidora pública, que o máximo que a gente espera é uma conduta ética profissional, por ser uma servidora concursada do Estado", afirmou.
Procurada, a superintendente citada na reportagem informou que a assessoria de comunicação da Educação encaminharia uma resposta. Já a Secretaria de Estado de Educação, por meio da Advocacia-Geral do Estado, declarou apenas que não comenta processos judiciais.
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